30/03/09

Entreatos - Lula a 30 dias do poder



Entreatos é um documentário dirigido por João Moreira Salles que mostra os bastidores da campanha presidencial de Lula em 2002. Mas, não só isso. É naturalmente interessante a premissa do filme, uma vez que muita gente tem curiosidade em saber o que acontece por trás das câmeras, das maquiagens e das palavras e gestos ensaiados. O documentário se torna ainda mais atraente. Quando se acrescenta os fatos de que a campanha eleitoral em questão é de uma das maiores figuras políticas do Brasil, um mito da história da esquerda mundial e um de homem que, apesar de todas as adversidades provenientes da sua origem e posterior postura política radical, conquistou a simpatia de milhões de brasileiros.


Entreatos não mostra apenas a transformação do Lula carrancudo para o Lulinha Paz e Amor. Exibe também a rotina sobre humana de todos aqueles que fizeram a campanha acontecer, desde o hiperativo publicitário baiano Duda Mendonça até a figurinista que combinava camisas, ternos e gravatas, da futura primeira dama Marisa Letícia até o barbeiro do futuro presidente Luiz Inácio da Silva. Todos ficaram expostos ao corre corre dos últimos dias de campanha do primeiro turno e posteriormente do segundo turno. Evidentemente, sempre que todos também ficaram expostos aos olhos e às lentes curiosas da equipe de produção do documentário. A câmera em Entreatos é aquela intrusa que entra pela fresta das portas, em reuniões, gravações da propaganda eleitoral, almoços, lanches, nos momentos de descanso e conversas informais entre um translado e outro, nos comícios, discussões estratégicas e etc. Onde esteve Lula, esteve o cinegrafista.


É claro que Duda Mendonça deve ter enxergado na oportunidade uma chance de promover publicidade a favor de Lula a longo prazo e ajudado o presidente a decidir pela permissão da presença de uma equipe nos momentos mais íntimos de uma campanha eleitoral. Um fato que não tiraria o mérito do filme: os acontecimentos parecem espontâneos e somente uma vez ou outra dá pra perceber quando alguém fala algo só porque está sendo filmado. De resto, o stress e a correria é tanta, que a equipe do documentário é até esquecida.

Entreatos revela que a equipe que trabalhou na campanha da primeira eleição de Lula, acima de qualquer obrigação legitima das funções exercidas no contexto, foi composta por pessoas que realmente acreditavam naquele homem como presidente, pessoas apaixonadas por aquele pernambucano independentemente do PT, da sua origem sindical ou de qualquer outra rotulação política. Pessoas que acreditavam no Lula, e só. Revela ainda momentos engraçados de José Alencar, desconfiados de Zé Dirceu, passivos de companheirismo de Marisa e instantes que mostravam a garra e a vontade dos seus assessores e a fé dos eleitores. Mas, acima de tudo, mostra um homem que dedicou sua vida a um propósito: o de governar seu país. Um homem normal, que fuma, conta piada, bebe, abraça, reclama, sorri, xinga, batuca e que come sanduíches. Um homem que conta que uma das suas vontades é colocar uma trave de futebol na área verde no Palácio da Alvorada para “fazer uma pelada” com sua família e amigos e ainda assim se preocupa com um eleitor que vai cumprimentá-lo no aeroporto dizendo que vê-lo era uma compensação por ter perdido o voou. Lula pergunta para onde o rapaz estava indo, era, coincidentemente, para o mesmo lugar que a comitiva e o futuro presidente “dá uma carona” para o rapaz que fica extasiado durante toda a viagem (um dos momentos mais emocionantes do filme).


O documentário é tenso, porque assim foi essa campanha eleitoral de 2002, que cresceu de forma expressiva a medida que saia mais um resultado de pesquisas ou a cada dia que ganhava mais uma voz gritando “Agora é Lula”.


Confesso que não assisti a Entreatos “com olhos neutros”. No que diz respeito ao “homem Lula”, numa visão acrítica com relação às suas responsabilidades como presidente durante esses seis anos e deixando de lado os méritos ou deméritos como governante do nosso país, sempre fui influenciada a admirá-lo. Desde criança, Lula é uma figura mitológica presente da minha vida. Minha família sempre foi de engajados políticos, sindicalistas, lulistas incondicionais. Hoje, tenho uma tia que trabalha na assessoria da presidência que conta histórias sensacionais sobre o presidente.


Nesse caso, me posicionei muito mais como eleitora brasileira, aquela que digitou o 13 três vezes na urna, do que como jornalista, se for possível essa distinção. Ainda assim, indico Entreatos por ser um documento valioso sobre a campanha de 2002, sobre comportamentos de políticos e de eleitores de Macapá até Porto Alegre e sobre a garra e a dedicação de quem se propõe filmar dias tão críticos “no olho do furacão”.

23/03/09

Jornalista e Publicitário fazendo cena em Paraíso


Ainda nos seus primeiros capítulos, a novela das 6, Paraíso, traz na sua trama um jornalista e um publicitário que, desempregados, fazem o caminho inverso: trocam a capital pelo interior em busca de oportunidades, na tentativa de deslanchar suas carreiras.

Ricardo e Otávio, interpretados respectivamente por Guilherme Berenguer e Guilherme Winter, chegam à pacata cidadizinha enfrentando as suspeitas e a desconfiança com relação às suas profissões, mas esbanjam vontade em aplicar uma Comunicação efetiva no local.


É claro que esse não é o foco da história. Pelo o que eu percebi em apenas um capítulo, a trama se estabelece inicialmente no envolvimento dos dois com as jovens meninas do lugar e as confusões com o Prefeito.

Mesmo assim, é interessante ver a escolha feita pelas profissões dos dois protagonistas.

O mercado de comunicação realmente está cada vez mais saturado nas grandes cidades e jornalistas, publicitários e RPs estão imigrando para cidades menores, carentes em suporte desse tipo. Os preconceitos, a incredulidade e a falta de conhecimento sobre as funções e atributos dos comunicólogos são os maiores desafios a serem enfrentados por quem opta desbravar o mercado no interior. Ainda assim, é muito mais viável e satisfatório tentar implantar algo novo, modificar a realidade e empreender em comunicação do que se render aos vícios e à crescente desvalorização da profissão nas cidades maiores. Desvalorização não do sentido de reconhecimento, e sim porque a oferta da “mão de obra” é cada dia maior e pra quem está começando no mundo da concorrência é algo que pode atrapalhar o sucesso nos primeiros projetos e conseqüentemente no futuro do profissional, que poderá estar menos estimulado a fazer a diferença.


Fazer a diferença, inovar e ajudar no desenvolvimento da sociedade, umas das características dos comunicólogos que se aplicam bem à atitude de alguns que preferem buscar um mercado alternativo ao invés de ser somente mais um no meio dessa selva de jornalistas perdidos.


Espero que explorem de forma coerente a trama de Ricardo e Otávio, já será algo a favor de profissionais com o mesmo anseio.

19/03/09

Casa Henriqueta Prates


A Casa Henriqueta Prates é um museu que guarda boa parte da história de Vitória da Conquista e região.

Lá tem também exemplares de livros e outras obras literárias de escritores conterrâneos, ou ainda páginas e mais páginas sobre o surgimento e crescimento do Município.

Além disso, contem um grande acervo de fotos históricas, momentos memoráveis do passado que podem sempre novamente ganhar vida quando revistos.


O Musei está sob os cuidados da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e é bem verdade que precisa de mais atenção com relação à estrutura. Tranformá-la em um local que atraia mais visitantes seria interessante para manter acesso o passado daqueles que por aqui viveram.

Recentemente precisei de alguns arquivos e fiquei surpresa como fui tão bem atendida. O rapaz que me recebeu (Fá) foi super simpático e não mediu esforços para me ajudar. Foi bonito ver o interesse dele pelo meu trabalho e a preocupação em trazer mais materiais que sirvam para encrementar o acervo do Museu.




Para quem mora em Vitória da Conquista e ainda não visitou a Casa Henriqueta Prates, indico em um momento de folga entrar rapidinho e prestigiar o lugar. É na Tancredo Neves.

É bem legal.

08/03/09

Fenômeno da audiência puxa saco

foto: globo.com

É lamentável como as vezes o jornalismo esportivo transforma um fato em uma longa e inexplorável história de tragédia ou potencializa ao máximo uma história de superação.

Aliás, o jornalismo esportivo hoje é feito de péssimos ou maravilhosos momentos.

Sempre ao extremo, sempre exagerado. Os textos dos offs são breves poemas e as histórias dos esportistas, lições de vida.

A transmissão do clássico Palmeiras X Corinthians de hoje foi exatamente assim. Aliás, era mais que um clássico, os dois times guardam uma invencibilidade, estão colados na tabela de pontuação, bateu recorde de público em todo Paulistão 2009, torcidas inflamadas fizeram seu espetáculo a parte e os jogadores corriam embaixo de um sol escaldante. Nada disso importava, porque o banco de reservas do Corinthians era o ais importante nessa tarde de domingo. Quem estava lá era Ronaldo, o Fenômeno, e tudo girou ao seu redor. Assim como aconteceu desde que foi contratado pelo alvinegro paulista.

-Lá vem o Ronaldo, entrou como reserva, como era esperado. - Olha o Ronaldo, não tira o olho do time. - Olha o Ronaldo, faz graça com o companheiro de banco. Olha o Ronaldo, dá um tapinha nas costas do Mano. - Olha o Ronaldo, ansioso para entrar. - Olha a torcida, grita pelo Ronaldo. - Olha o Ronaldo, vai pro aquecimento. - Olha o primeiro toque do Ronaldo na bola.

Até que então Ronaldo faz um Gol nos acréscimos, vai pro alambrado, faz bagunça, fica o tempo que quer por lá, policia é obrigada a intervir, volta, se dá o luxo de parar para recuperar o fôlego, vai pro campo e recebe cartão amarelo.

É claro que todo corinthiano gostou da cena, mas foi um absurdo Arnaldo César Coelho dizer que o juíz foi insensivel ao dar o cartão amarelo pra Ronaldo. Se fosse um torcedor, no mínimo, tinha levado uma boa surra de cassetete.

Agora, querem que além de reconhecimento, Ronaldo receba tratamento especial? Por que? Porque é um grande jogador de futebol? Porque trouxe "grandes alegrias" aos brasileiros? Por que foi um fenômeno? Porque deu uma de Fênix? Por tudo isso, ele merece respeito, no máximo.

Num campo de futebol ele é um jogador como qualquer outro e deve se comportar como tal. Ronaldo é tratado como uma estrela maior que o próprio time, maior que o outro time, maior até que o campeonato, maior que qualquer outro fato no esporte da atualidade.

Uma repórter, tadinha, que estava em campo no fim do jogo, incorpou tanto essa idéia que perguntou à Ronaldo: "Você acha que é predestinado?". O que faltava era essa: estamos lidando com misticismo, crenças do além, milagres divinos. Tenho certeza que essa será a leitura feita em todos os tele(jornais) globais, ou não, esportivos ou não.

Como diria um companheiro palmeirense, só falta dizer que o gol do palmeiras foi uma falha na Matrix.

Lamentável.

07/03/09

Mulher e Cerveja

A skol lançou o comercial "Torcedores", o terceiro da sequência "Redondo é rir da vida". O primeiro doi o "Paquera" e o segundo "Carnaval".

Sempre muito criativos, originais e super produzidos, os comerciais da Skol chamam muito a atenção principalmente pela veia humoristica, brincando com situações comuns do cotidiano ou com imaginário sócio cultural e emotivo do nosso país. Essas características realmente marcam de forma positiva as propagandas da marca de cerveja, realmente são comerciais divertidos e incansáveis.

Só tem um problema: como o sexo feminino é abordado.
Não quero começar com o papo de causa feminina, não é isso. Só quero ressaltar o fato de que as mulheres em comerciais de cerveja ou são os "obstáculos" que impedem os homens de aproveitar o momento de lazer ao lado dos amigos, saboreando uma cerveja geladinha ou são o motivo para os homens saborear uma cerveja geladinha.

Em "Paquera", a minoria que dos que paqueram são mulheres. Em "Carnaval", a minoria dos protagonistas são mulheres (com exceção das moças que levantam a blusa para mostrar os seios). Já em "Torcedores", as mulheres são as chatas que não gostam de futebol. Fora que a locução é sempre masculina. Mulher não bebe, não torce... só enche o saco do homem ou o distrai sexualmente.

Lembrei do comercial do ano passado da campanha "Sonho Meu", em que os supostos ganhadores eram todos homens.

Num momento em que se fala tanto sobre a crescente participação da mulher em diversos setores da sociedade, que se propaga a luta pelo respeito e igualdade no tratamento social, a publicidade e propaganda ainda dá uma bola fora dessa, retrocedendo todo o debate sobre o assunto. Como há apelação para o humor, o conceito dos comerciais são de fácil absorção e a idéia de que as mulheres estão à sombra dos homens de forma vulgar ou inferior é facilmente disseminada.

Essa forma de transmissão da imagem da mulher pode ser muito engraçada na telinha, mas é garantia de que sofrer na pele esse preconceito, exclusão e falta de credibilidade é triste para qualquer mulher que tenta ganhar respeito, especialmente como profissional.

Eu quero poder trabalhar, poder tomar minha cerveja e poder torcer tendo meu espaço de protagonista com respeito. Pode ser ou preciso mostrar os peitos?

Feliz dia da mulher. Para elas e eles também.

Sledgehammer

Peter Gabriel voltou à tona, pelo menos para mim, depois de ter feito a música Down to Earth do filme Wall-e. Não sei é porque eu sou apaixonada pelo filme, mas esta foi uma das canções mais bonitas que eu escutei no ano passado.

Fazendo uma pequena pesquisa sobre Gabriel, achei a informação de que o clipe da música Sledgehammer mantém o titulo de videoclipe mais executado pela MTV.

Decidi conferir, é realmente um clipe bastante interessante, criativo e envolvente. Fora que usa muito bem os efeitos especiais que "bombaram" e viraram febre nos anos 80/90.

Veja você também:

http://www.youtube.com/watch?v=lCN2iwjw_x8

(não consegui colocar aqui direto)

23/02/09

Oscar - Melhores (ou não) de 2008

Como estou viajando, vou fazer alguns comentários resumidos sobre a 81º cerimônia do Oscar que aconteceu ontem.

A grande festa do cinema mundial que prometia inovações inesperadas foi mesmo cheia de novidades, mas novidades em sua maioria que não conseguiram ultrapassar o sem graça.

O teatro Kodak estava diferente mas não melhor e a apresentação de Hugh Jackman apática mesmo o galã se esforçando para ser simpático e engraçado.

A homenagem feita aos posteriores ganahores da estatueta de melhor atriz e ator e coadjuvantes, na qual cinco desses entravam "rasgando seda" dos candidatos foi estranha. Cada um fazendo elogios mil aos indicados que ouviam emocionados enquando esperam a abertura dos envelopes não passou de uma encenação forçada e a homenagem que era para ser bonita ficou entediante (exceto quando Whoopi Goldberg falou para Amy Adams (dúvida) que sabia o quanto era difícil interpretar uma freira).

Em um musical liderado por Jackman e Beyonce a intenção era fazer homenagem ao gênero.
Apesar da montagem ter sido até bonita, Jackman estraga tudo no final dizendo que os musicais estavam de volta. No entanto, que eu saiba, o único musical expressivo deste ano (em números de bilheteria) foi Mamma Mia, o que fez com que todo aquele circo parecesse algo para preencher o espaço que é reservado todos os anos para "esquetes" musicais.

Um ponto alto da festa foram os clipes para em homenagem aos gêneros comédia, ação e romance com edição e roteiro caprichados. O de ação, em especial, foi de tirar o fôlego com uma sincronia muito legal entre a música e as cenas bem ao estilo holywoodiano de ação e o clipe de comédia com a "apresentação" de James Franco e Seth Rogen numa espécie de reprodução de uma cena do filme Pineapple Express (um dos filmes mais engaçados que eu já assisti).

A imitação da estranha presença de Joaquim Phoenix no programa de David Letterman feita por Ben Stiller acompanhado por Natalie Portman foi uma das poucas coisas que 'valeram o ingresso".

E quando eu achei que não podia piorar eis que chega o momento da entrega de melhor trilha sonora com aquela encenação fake indiana - o pior dos clichês numa apresentação chatíssima das músicas indicadas e o que me deixou muito chateada: estregaram a canção belissima de Peter Gabriel, "Down to Earth" que embalou a cena romântica mais emocionante de 2008 com Wall-e e Eva. Tudo perdeu a identidade com execessivo consumo da "cultura indiana", até mesmo a própria cultura indiana.

Com relação aos prêmios, nenhuma surpresa. O fenômemo "Quem quer ser um milionário" levou as principais estatuetas, o que me lembrou o Oscar de Crash, um filme tão apelativo quanto e tão ovacionado quanto.

Pelo menos gostei muito dos prêmios para Sean Penn e Kate Winslet (que se fosse Jolie em A Troca também tava valendo) e Wall-e para animação (que parece que não tinha concorrentes à altura.

Depois escrevo mais....